O The Elder Scrolls Skyrim foi o primeiro grande jogo em que investi muitas horas. É engraçado, mas demorou anos para eu descobrir o que era de fato o meu gosto pessoal para jogos, e acho que isso é difícil para quem sempre quis manter a mente aberta, experimentando os mais variados tipos de experiências.

Por um lado, você percebe que gosta de coisas que nem imaginava que poderia gostar, justamente por se esforçar em conhecer o novo. Por outro, a variedade é enorme: jogos premiados, os mais vendidos, os mais populares, com muitos critérios para descobrir um jogo e querer acessá-lo. No fim, eu não sabia exatamente o que queria. Acho que amadureci muito nesse sentido quando tive um PlayStation 5, um Nintendo Switch, uma assinatura do Game Pass e um Meta Quest. Em um momento da minha vida, eu tinha todas as plataformas.

Com o Nintendo Switch, fui atrás dos grandes exclusivos da Nintendo, dos clássicos do Nintendinho e do Super Nintendo. Comecei a comparar esses jogos com os do PlayStation 4 e 5, e com os jogos de PC que já jogava há mais tempo. Foi nesse processo que fui percebendo o que o Skyrim significava para mim.

Não sei se o Skyrim moldou o meu gosto pessoal ou se o meu gosto já existia e o Skyrim foi exatamente aquilo que eu precisava encontrar. Criatura e criador. O jogo tem características que parecem intencionais e outras nem tanto, e as não intencionais também funcionam muito bem.

RPG casual e acessível

O Skyrim é um RPG de mundo aberto focado em exploração, mas casual e acessível. Ele simplifica sistemas que em outros jogos do gênero são complexos ao ponto de intimidar.

Quando joguei Baldur's Gate 3, um dos RPGs mais premiados dos últimos anos, senti que precisaria parar e estudar os sistemas antes de conseguir jogar de verdade. Havia a sensação de que seria necessário entender as regras de Dungeons & Dragons, não só a mecânica, mas a lore e o mundo inteiro, porque logo de início o jogo te apresenta uma quantidade enorme de criaturas, possibilidades e regras. O resultado é uma sobrecarga.

O Skyrim é o oposto. Os sistemas são simples, e mesmo sem entendê-los completamente, a diferença é quase imperceptível. É essencialmente um jogo de ação em primeira pessoa onde os erros têm um custo baixo. Comecei a jogá-lo sem saber quase nada sobre RPGs e fui bem-sucedido nisso.

As interfaces são diretas. A árvore de habilidades é acessada olhando para o céu estrelado dentro do menu, intuitiva e visualmente agradável. Posso focar em ser furtivo, mago, bárbaro ou arqueiro, destravando habilidades conforme ganho experiência. O inventário é uma lista simples e transparente, que não esconde o jogo ao fundo. Quando mato um inimigo, posso pegar tudo que ele carrega: a espada, a roupa, qualquer coisa.

Sem classe definida, sem ansiedade

No Skyrim, não há escolha de classe no início. Não existe aquela obrigação de pesquisar builds, assistir vídeos, ler guias para decidir que tipo de personagem criar e carregar essa decisão por todo o jogo.

Você escolhe uma raça e começa a jogar. A classe emerge naturalmente do que você faz. Eu sempre criei combinações estranhas: um mago com habilidade de cura que lutava como bárbaro empunhando um machado, recorrendo à magia de fogo quando o machado não resolvia, e ao arco e flecha quando queria dar um acerto crítico na cabeça de um inimigo.

Eu simplesmente fazia o que queria, sem barreiras, obedecendo apenas à minha vontade de me divertir naquele mundo aberto e livre.

Essa liberdade reduz enormemente a carga mental. Grandes RPGs como Mass Effect, Fallout e o próprio Baldur's Gate priorizam a escolha e seu impacto: você pode tomar uma decisão e um personagem importante morre, e isso muda a história. Essa é a essência do roleplaying, a liberdade radical de decidir. Mas essa liberdade tem um peso.

No Skyrim, as decisões raramente mudam muita coisa. Isso pode ser visto como uma limitação do gênero, ou simplesmente algo que ficou de fora. Mas para mim é um benefício enorme: toda vez que abro o jogo, não estou ansioso com as consequências das minhas escolhas. Posso jogar cansado, à noite, com a cabeça cheia depois do trabalho, sem medo de cometer um erro irreversível e ter que voltar ao save.

O Baldur's Gate exige que eu esteja mentalmente preparado para jogar. O Skyrim não exige nada além de vontade.

Um comfort game contemplativo

O Skyrim se tornou uma experiência completamente contemplativa. Um comfort game, um walking simulator. Tudo o que ele fez, intencional ou não, o tornou mais imersivo. Você caminha por aquele mundo, vê o céu, as estrelas à noite, as florestas, as cavernas, e segue sem muita preocupação com sistemas.

Em vez de planilhas de números, combinações de builds e menus sobre menus, você simplesmente vive naquele mundo. Contempla as vistas, luta com esqueletos em cavernas, segue em frente.

Foi aí que encontrei o meu gosto real para videogames: jogos que me relaxam, que trazem paz, aconchego e contemplação. Que me tiram do caos do mundo real, do estresse do trabalho, das frustrações da vida, e me colocam num lugar confortável.

Skyrim define o meu gosto pessoal para jogos.